segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A madrugada era fria, as névoas tomavam conta dos meus pés, uma fumaça branca indicava a minha respiração. A cidade silenciosa, eu era a única pessoa vagando por ali. Com uma garrafa de vodka na mão e um cigarro na outra, já podia ver alguns raios de luz anunciando um novo dia. Completamente sozinha, sentei-me na calçada para apreciar a visão. Os toques leves do sol nos prédios altos, as sombras, era uma bela visão. Tomei mais alguns goles da minha garrafa quase vazia, fechando os olhos assim que senti o líquido me queimando a garganta. Meus olhos demoraram para focar novamente, e então pude perceber a presença. Eu não era o único ali, afinal.
- Onde você esteve? - disse alto, de modo que tinha certeza que eu podia ser ouvida. Senti a brisa matinal tocar meu rosto, secando as quase lágrimas. Não obtive resposta, como já esperava. Seus olhos estavam estranhos, de maneira que não consegui decifrar seus sentimentos. Senti uma vontade absurda de correr para seus braços, bagunçar seus cabelos e perdoar qualquer erro que ainda nos separava. Peguei meu último cigarro, expulsando o pensamento. - Onde você estava? - tentei novamente sabendo que não seria respondida. - Quando tudo estava desmoronando? Onde é que você estava? - senti o rosto molhar e sequei as lágrimas que já começavam a cair. Eu precisava me manter forte. - Gastei todos os meus dias ao lado do telefone, que nunca tocou. Honestamente, eu sinto raiva de você. - como eu previa, seu rosto não mudou nada. O olhar intenso continuou sobre mim, me fazendo sentir como uma criança. Eu estava perdida, sozinha, insegura. Sem nenhum resquício de esperança. Você destruiu tudo o que eu tinha, tudo o que eu era. - Por que voltou agora? Por que esperou tanto tempo para acabar comigo novamente. Venha, pode me destruir agora mesmo, eu não me importo mais. - Senti a cabeça doer, mas ignorei. Apoiada nos joelhos, sem forças para me levantar, você me achou caída novamente. Agora os raios do sol já estão mais fortes. A cidade começa a acordar, mas eu não me importo. - Eu te liguei durante anos e anos, você nunca me mandou uma única mensagem. Sabe as consequências disso tudo? - sequei as lágrimas teimosas mais uma vez. - Você teve a ousadia de me arrancar qualquer tipo de felicidade que eu poderia ter. - levantei, ainda cambaleando devido as fortes dores na cabeça. Andava com cuidado, apesar de não precisar tê-lo. Eu me sentia presa, presa a todas as lembranças que você fez questão de não me deixar esquecer. Já a alguns passos de distância, tomei o último gole da garrafa e joguei-a no chão. Pude ver os pedaços de vidro espalhados pelo asfalto. Exatamente como meu coração tem estado desde que você se foi. Sorri pela primeira vez depois de toda a dor. Eu estava me libertando. - Eu odeio você. - disse, encarando seus belos olhos, não me permitindo fraquejar dessa vez. Só então percebi a mudança em sua expressão. Agora é tarde demais para desculpas. Joguei a jaqueta nas costas, terminei com o meu último cigarro e suspirei. Segui em direção ao sol, livre. Ousei olhar para trás mais uma vez, vendo-o juntar os cacos da garrafa com uma lágrima brilhante escorrendo pelos olhos.

Baseado na música "You found me - The Fray"

sábado, 8 de dezembro de 2012

Desabafo

"Eu não menti quando disse que tinha medo. Não menti sobre o que eu sentia. Não escondi quem eu era de verdade. Não ocultei nada de ti, muito pelo contrário, te dei informação demais. Talvez seja esse o meu erro: ser tão transparente. Toda palavra que te disse foi verdadeira, todas elas de acordo com o que eu sentia no momento. Está ai mais um erro meu: seguir o coração cegamente. A culpa foi minha por simplesmente ter deixado acontecer. Hoje sei que devia ter evitado isso. Assim talvez as coisas fossem mais fáceis. Eu te deixei ir porque cansei de correr atrás dos outros, não pretendo voltar atrás quanto certas coisas. Eu não menti quando disse que não desejava que tudo acabasse, que tinha medo, que não queria te perder. É um tanto irônico, hoje tenho certeza que te perdi ..."

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Disseram que ela parecia ser uma pessoa feliz, mas nenhum deles sabia o que ela enfrentava todos os dias. É um mundo cruel e vivemos numa constante batalha entre os sentimentos e a razão, onde cada um faz sua escolha de acordo com um destes e esta pode ser fatal. Com o coração ferido, ela tentava não demonstrar a dor, escondendo-se em sorrisos falsos estampados nos lábios. Os olhos profundos, cheios de histórias verdadeiras para expor a quem os olhasse por muito tempo. Com a verdade no olhar e a mentira nos lábios, ela seguia o caminho que havia trilhado, se fortalecendo a cada decepção, tendo consciência de que nenhuma delas seria a última. Em um mundo como esse é preciso ter cuidado, qualquer passo em falso pode ser crucial para o resto do caminho. Nesse lugar as pessoas aparecem, brincam e vão embora. Todo cuidado é pouco, todo sorriso esconde uma noite de lágrimas, todo olhar possui uma verdade a ser revelada, todo coração partido procura reparo, toda decepção é um aprendizado. Aqui, quem não entra na batalha não sabe o que é travar uma guerra consigo mesmo.

domingo, 11 de novembro de 2012

Carta para um velho amor.

“Olá querido. Há quanto tempo não nos falamos, não é? Eu já não sei nada da sua vida, assim como você não sabe da minha. Está bem? Conheceu alguém melhor? Casou? Teve filhos? Adoraria saber, mas confesso que tenho medo das respostas. Está feliz com o que o destino preparou? Acha que poderíamos ter feito melhor, daquele nosso jeito ingênuo e apaixonado? Se ele não tivesse sido tão cruel…
Creio que esta carta poderia ser melhor com as luzes acesas, porém temo a claridade. A escuridão foi tão receptiva e reconfortante com minha alma que hoje não desejos mais viver sob luzes. Sinto muito pelo rumo de nossas vidas e pelo que nos tornamos, mas não podemos mudar o que está escrito. Nosso conto de fadas chegou ao fim, caso contrário, estaríamos lado a lado agora, sorrindo ao ver nossos filhos se divertirem no chão da sala.
Espero suas respostas com o coração batendo, descompassadamente, por medo ou ansiedade; com a vontade de aumentar o tempo que nos resta e mudar nosso futuro.”

sábado, 27 de outubro de 2012

Emoção pós CCMQ

O nervosismo e ansiedade assim que "Requiem for a dream" começava a tocar, a emoção de finalmente pisar no palco, os olhos curiosos da platéia, o medo de fazer algo errado. Os aplausos no final de tudo, o sorriso nos agradecimentos, as lágrimas nos bastidores, os abraços apertados e reconfortantes, o apoio de cada um, os gritos, a comemoração. O sono no dia seguinte.  Isso resume basicamente os últimos três dias de apresentações na Casa de Cultura Mário Quintana. Há 8 meses atrás era apenas um sonho que realizamos em 1h30 de espetáculo a cada dia. A vontade de pisar no palco novamente, o desespero para que a maquiagem e o cabelo fiquem perfeitos, a contagem regressiva. 

São exatamente 19h41 minutos, e isso me faz lembrar a correria que as palavras "20 minutos" nos dava. Era o tempo que tínhamos para deixarmos tudo perfeito, relembrar falas, pensar nas coreografias, e então ter a emoção de pisar no palco mais uma vez. Hoje, quando acordei, foi inevitável olhar a flor branca que recebemos e não sorrir. Ela foi a prova de que não foi apenas um sonho. Porém, pensar que hoje as 20h todos estaremos em casa, fazendo qualquer coisa não tão importante, dá vontade de chorar. Sim, chorar, porque apesar de ter sido corrido, era muito bom. Desde a hora em que chegávamos na Carlos Carvalho até o momento em que saímos de lá, aquele era o nosso momento especial, a nossa hora de brilhar e mostrar pra todos o belo trabalho que fizemos. 


Ao deitar a cabeça no travesseiro, depois das 2h da manhã, fiz uma retrospectiva. Curso no núcleo, ensaios no ISL, as integrações, os desentendimentos e as desculpas minutos depois, os abraços e sorrisos sinceros. Eu não quero que esse ano chegue ao fim, ele foi um dos mais importantes na minha vida. Tenho certeza que relembrar 2012 sem a ópera é muito difícil. Foi com essa galera que eu tive meus momentos difíceis, foram eles que me deram força, mesmo sem perceberem. É graças a eles que hoje eu estou aqui, feliz, deixando as lágrimas sinceras correrem pelo meu rosto. A verdade é que somos como uma família, cada um tem seus defeitos e aprendemos a conviver com cada um deles; damos apoio quando um necessita, choramos juntos quando não sabemos o que fazer ou falar. Assim foram esses 8 meses, os mais especiais da minha vida. Eu amo todos eles. 

Só tenho a agradecer a todo o elenco, a direção, a coreógrafa, ao pessoal que ajudou com o palco, e, claro, ao nosso público. Esgotar 80 ingressos a cada dia não é pra qualquer um. As 240 pessoas que foram conhecer nosso "Reino das Névoas", um muito obrigada. Vocês nos ajudaram nesse sonho. 
Agora voltamos a rotina, nos preparando para, então, a apresentação final em nossa casa, o ISL. As lembranças permanecem vivas em nossa mente e nas filmagens e fotos. O espetáculo foi um sucesso. O que aconteceu no palco todos sabem, mas o que aconteceu nos bastidores, ah, isso só o elenco vai poder contar. 

Obrigada a cada um que foi nos assistir, a cada pessoa do elenco, ao Lucas, a Teté. 

Eu amo cada um de vocês. 
O show tem que continuar! 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Me sentir sozinha já se tornou um hábito. Esquecida no canto do quarto escuro, eu tento controlar as lágrimas, sem sucesso. Deixo o corpo escorregar pela porta, abraço os joelhos, escondo o rosto. Dói, dói bastante, mas é possível esconder com um sorriso toda essa dor. Com os olhos inchados, procuro a luz na escuridão. A luz da lua cheia entra pela minha janela, me fazendo sorrir por um breve momento. Tantos sonhos, planos e tentativas, todas fracassadas. Tudo fora jogado no lixo. A mente vaga pelo desconhecido e eu já não entendo meus próprios pensamentos. As lágrimas insistem em descer, os soluços já são inevitáveis. É tarde para pedir desculpas, eu sei. Sinto muito por ser tão fraca.  Eu só quero que tudo volte a ser o que era. Não normal, porque nunca foi, mas o imperfeito mundo em que eu vivia, mergulhada em sonhos infantis e contos de fadas, a ilusão de que o destino nos reserva o melhor. Isso era muito melhor do que a realidade que vivo hoje. Amadureci, sim, e foi ótimo. Mas sei que a criança que eu era não teria nenhum orgulho da pessoa que me tornei. Fria, bloqueando sentimentos, mas fraca com qualquer palavra bonita dita. Eu não tenho orgulho da pessoa que me tornei.

domingo, 14 de outubro de 2012

Arrisque-se

Pode ser que seja tarde demais, que já não haja mais tempo para tentar novamente.
Pode ser que tudo isso não chegue a ser o que deveria, que seja apenas um sonho não acabado, como todos os outros.
Pode ser um grande fracasso, mas também pode ser a tentativa de sucesso de nossas vidas.
Não se sabe, não há como saber. Tudo pode ser se arriscarmos. Fracasso ou sucesso, o que importa mesmo é dar a cara a tapa, o depois a gente resolve outro dia.

Solidão, silêncio e paz interior

Ultimamente eu tenho a preferencia pela solidão, pelo silêncio, consequentemente eu tenho pensado demais, e tudo vira uma grande confusão na minha cabeça, mas é uma confusão boa. "Pensar dói, incomoda e é perigoso", já dizia o sábio professor de história, Alexandre, e eu não posso discordar. Mas apesar de tudo, é ótimo. Imagine-se rodeado de árvores, na completa solidão, apenas o som dos pássaros soam ao seu ouvido, trazendo uma paz interior que te faz sentir livre dos problemas dessa vida cotidiana. É uma das melhores sensações do mundo, pode ter certeza. É bom para a mente, para o coração. Por alguns segundos parece que o mundo não é assim tão ruim, tão injusto, tão cheio de problemas. É apenas o mundo, como deveria ser, mesmo essa possibilidade não existindo mais. Recomendo: isole-se por alguns minutos do seu dia, pense um pouco na vida, coloque uma música calma para tocar e deixe o vento bater em seu rosto. O efeito pode ser impressionante.

"Se eu morrer jovem, enterre-me em cetim
Deite-me em um cama de rosas
Afunde-me no rio na madrugada
Deixe-me ir com as palavras de uma canção de amor
oh oh oh oh"
(If I die young - The band perry)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Era um campo grande, totalmente coberto por flores, muito bonito. A brisa leve da primavera tocou-lhe o rosto. Andou com calma, observando cada flor. Margaridas, rosas, tulipas e até lírios. Sentou-se na grama fofa, suspirando. Levantou o rosto para o céu, deixando o sol iluminar e aquecer cada minúscula parte de seu corpo. Ouviu o barulho dos pássaros e abriu os olhos, vendo-os voarem pelo céu lindamente azul, livres. Sorriu. Ela amava aquela sensação. Deitou devagar sob a grama, deixando-se relaxar. Passaria a tarde toda ali, se pudesse.
Adoraria sentir-se livre mais uma vez, sentir aquela brisa nos cabelos durante as manhãs da bela estação que  chegava. Pisar naquela grama fofa e correr por ela o mais rápido e longe que pudesse, ouvir o som dos pássaros e observar as borboletas brincando na sua frente. Sentir o aroma fresco de cada linda flor que ali havia.
Arrependia-se de não ter aproveitado quando podia. Talvez ela não merecesse aquela liberdade, a capacidade de sonhar novamente, as sensações que a vida lhe dera e ela própria tirara. Parecia injusto, mas não era. Era justo demais. O destino talvez tenha sido cruel demais, mas ele não tinha culpa. A única culpada ali era ela mesma.
Levantou-se, pegou uma flor. Mirou-a com cuidado. Sentiu o espinho rasgar-lhe os dedos, mas não ligou para tal. Uma gota de sangue vermelho vivo (ou talvez já morto) escorreu por entre os dedos, pingando na grama e manchando todo o belo cenário. A rosa branca e pura em sua mão começava a sujar-se de vermelho, mas ela não a soltou, ao contrário, apertou-a com mais força, sentindo os espinhos penetrarem em sua pele. Dor, ela já nem sentia mais.
Fechou os olhos mais uma vez, deixando tudo aquilo desaparecer para, então, abri-los e enxergar as grades sujas da prisão a sua frente. Fitou as mãos ensanguentadas e logo ouviu os gritos da companheira de cela. Com as mãos no ventre, a mulher a sua frente caiu no chão, agoniando e, minutos depois, o corpo estava sem vida. Ela realmente não merecia aquela liberdade. Estava destinada a viver presa, vendo o sol nascer por trás das grades. Era uma assassina e assassinas frias como ela não possuem o direito de liberdade, não possuem o direito de nada. Olhou-me com expressão neutra, mas ainda assim pude ver a pequena criança insegura, doce, amedrontada e um tanto assustada que carregava em sua alma.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Eu estava no metrô quando o vi novamente. Ele me olhou triste, com um sorriso de canto. Ambos sabíamos que não daria certo. Não havia dado antes, por qual razão daria agora? Tentei sorri, mas minha tentativa foi falha. Olhei-o cansada, os olhos já úmidos pelas lágrimas. Droga! Eu iria chorar na frente dele. Desviei meu olhar para a janela. Pude notar o olhar dele em mim mais alguns minutos antes de se sentar. O coração doeu, como há tempos não doía. Nunca foi fácil, pra nenhum de nós, esquecer. Mas agora que eu pensava ter superado, ele reaparece, trazendo as lembranças de volta a minha mente e a dor ao meu coração. Mirei-o novamente. Ele parecia ler. Continuava apaixonado pela leitura, pelo romance. Sorri por um breve tempo, lembrando dos bons momentos de nosso conto de fada. Suspirei, deixando a cabeça cair novamente na janela e fechei meus olhos. Aquele sorriso, aqueles olhos, aquelas mãos. Abri-os lentamente, o que eu menos queria era sonhar com ele. Nossos olhos, então, se reencontraram. Ele não tinha o direito de reacender minhas esperanças. Eu já me iludia o bastante sozinha, não precisava daquele olhar para me iludir mais ainda. Senti o telefone vibrar.

"Sinto muito"
"Não sinta. Somos imaturos demais.A culpa não é sua, nem minha. Nossos corações são os verdadeiros culpados"
"Sinto sua falta"
"Isso passa. Ambos devemos seguir em frente. O destino não pertence a nós, deixe-o fazer seu trabalho"
"Deveríamos ter mais uma chance"
"Para que? Nos machucarmos novamente? Sinto muito, duas vezes já foram o bastante. Não se comete o mesmo erro três vezes"
"Então você acha que fomos um erro?"
"Pense assim se quiser. Tudo dura o tempo necessário para se tornar inesquecível, inclusive os erros"
"É isso? Acabou?"
"Felizmente ou infelizmente, nem chegamos a começar"
"E todo aquele amor?"
"Como eu disse, ele passa. Encontrará outro alguém para amar, alguém que dê certo"
"E como fica nossa história?"
"Torna-se uma lembrança"

Olhei-o pela última vez. Levantei com cuidado, era hora de ir.
- Adeus. - sussurrei. Os olhos já úmidos novamente. Ele apenas manteve seu olhar triste. Ultrapassei a porta. Já era hora de seguir meu caminho, sozinha.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A história de Kriemhild

Kriemhild era um jovem princesa, filha de do rei Krimfield e sua esposa Kriminild, do reino de Genóvia. Era uma menina muito sonhadora, desde pequena era assim, sonhava todos os dias com um príncipe encantado em um cavalo branco, buscando-a para morarem em uma floresta afastada de tudo, um lugar mágico só para eles. Porém, mais tarde o destino decepcionou a jovem princesa.Kriemhild todas as tardes passeava pela Floresta Branca que havia perto de seu reino, acostumada a andar despreocupada pela floresta ela nem olha por onde anda, só segue seu caminho em busca de sua felicidade, cantarolando belas músicas que falavam sobre seus sonhos e desejos, até que a jovem princesa é surpreendida por um jovem príncipe, que estava deitado em baixo de uma árvore, perto de um lago. A jovem princesa se apaixonou por ele, era tão belo que não tinha como descrever sua beleza infinita. O jovem tinha belos olhos azuis, o que fazia com que Kriemhild viajasse para outro mundo cada vez que se lembrava daqueles dois oceanos. Porém aquele jovem não era apaixonado por ela como ela era por ele, eles mantiveram uma linda amizade onde todos os fins de tarde era combinado um encontro na floresta para conversarem e se divertirem um pouco.
Kriemhild sabia que o príncipe não a desejava e por isso se sentia em uma profunda ilusão, onde seu sonho nunca se realizaria. Kriemhild pensava todos os dias em declarar seu amor pelo príncipe, contar-lhe toda a verdade, e passar o resto da vida feliz ao lado dele, porém nunca o fazia, tinha medo de contar-lhe tudo. A jovem princesa alimentava esse amor todo o dia, por mais que tentasse esquecer o belo príncipe, sabia que nunca teria o amor dele, mas tendo sua fiel amizade já bastava.
Certo dia o jovem príncipe disse-lhe que iria em uma batalha em defesa do seu reino, e a jovem sem saber de qual reino ele se defenderia, concordou e deixou-o lutar, rezando para que o mesmo voltasse vivo, e com a vitória.
Alguns dias depois sem vê-lo Kriemhild decidiu ir até o reino vizinho, onde morava o seu grande amor, e se surpreendeu quando viu a cena de o exército de seu pai matando todos do exército de seu belo príncipe. Kriemhild avistou o jovem príncipe, e foi ao seu encontro, encontrando-o caído no chão com uma enorme poça de sangue no peito, estava morto. A jovem princesa caiu em um pranto profundo, seu grande amor estava morrendo, e ela nem ao menos poderia viver o seu conto de fadas. Conforme passava os dias, Kriemhild sentia mais dor em seu coração, ela realmente o amava, e se arrependia profundamente por nunca ter lhe contado a verdade. Seu lindo sonho havia sido destruído pelo seu próprio pai. O príncipe encantado em seu cavalo branco, nunca mais apareceria, estava morto, e seu belo sonho de conto de fadas estava manchado de sangue, morto.


Obs: Texto escrito em 2010, para uma proposta de redação do 1º ano do Ensino Médio. 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Ela tinha os olhos cansados, com olheiras, pela noite difícil que tivera, que passara em claro, em meio a um turbilhão de pensamentos que percorriam sua mente levando-a a loucura. Sentada ao canto de uma cafeteria, mirava o movimento na rua, enquanto tomava um gole de café quente para animá-la. Os olhos, agora cheios de lágrimas, mostravam o quão difícil era sentir tudo aquilo. Seu coração doía, apertava a cada lembrança dos dias felizes que antes tivera. As lágrimas já escorriam pela face da jovem, chegando a um ponto em que era impossível evitá-las. Pensamentos ainda a atormentavam, causando uma dor de cabeça insuportável. Tomou mais um gole do seu café, e continuou mirando a rua. Viu, então, aquele que a fazia sofrer daquele jeito, aquele que era o motivo da noite difícil e das lágrimas que caiam de seus olhos. Sorriu por um breve momento, como se pudesse voltar no tempo e reviver novamente os dias felizes juntos. Porém, o sorriso logo se foi, assim que viu o jovem com um novo amor, dando lugar a olhos que lutavam contra as lágrimas. Ela não queria chorar, não na frente dele, mas tornara-se impossível vê-lo daquela maneira, com outra, enquanto ela ainda guardava as boas lembranças. Tomou os últimos goles de seu café, deixou um pouco de dinheiro sobre a mesa, levantou-se e enxugou suas lágrimas. Estava disposta a provar para aquele jovem, e para todos que um dia duvidaram dela, que ela podia ser feliz sem ele, que ela podia superar assim como ele, que ela ainda tinha uma vida, e pretendia vivê-la ao extremo. Saiu pela porta da cafeteria, e mirou o jovem mais uma vez. Dessa vez, já não havia lágrimas, mas sim um belo sorriso em seu rosto. Olhou para o céu, sentiu a brisa leve tocar em sua face, sorriu abertamente. Acenou para o rapaz, que agora seguia seu rumo de mãos dadas com um garota de cabelos negros. A partir de agora, ela deixaria tudo para trás, assim como ele fizera; seguiria seu caminho como sempre deveria ter sido, sozinha.
Eu prefiro os livros. Ultimamente eles estão me entendendo muito mais do que as pessoas. Prefiro esse mundo, onde tudo é transparente, onde sempre há um final feliz. Cansei de decepções, de pessoas falsas, de amores impossíveis. Quero viver em um mundo onde não haja máscaras, onde não haja mentiras, onde as coisas deem certo, ao menos uma vez, para mim. Não quero um mundo perfeito, longe disso, apenas quero um lugar onde as coisas façam sentido, onde podemos ter a certeza que a história terá o final que merece, seja feliz ou não. Talvez seja apenas ilusão minha; sonho irreal, impossível. Mas entre esses dois mundos, qual você prefere?

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ela corria pelo salão, a procura de alguém que pudesse ajudar. Seu belo vestido branco de princesa começava a manchar-se de vermelho sangue. Ela gritava, ainda correndo no salão, porém ninguém parecia notar sua presença no local. Suspirou, a dor no ventre aumentava a cada minuto. O criminoso estava a olhando, com um sorriso satisfeito nos lábios, enquanto o sangue manchava seu vestido cada vez mais. Parada no meio do salão, com as mãos sobre a barriga, olhou ao seu redor. As pessoas pareciam não a notar ali. Gritou, não apenas de dor, mas também de raiva. O criminoso ainda a olhava, dessa vez sério, aproximou-se dela. A menina se encolheu com medo do que ele poderia fazer, porém sabia que nada poderia ser mais cruel que seu destino. O homem sorriu, levantou a máscara, e deu um sorrido vitorioso: "Eu avisei. Ninguém mexe comigo". Abaixou a máscara e seguiu em busca de uma nova vítima. A moça ainda pode vê-lo sair em direção ao jardim. Suspirou novamente, olhou o vestido encharcado pelo sangue, deixou-se cair ao chão. Seu "felizes para sempre" estava acabado, seus sonhos haviam sido destruídos por um assassino silencioso. O destino nunca fora tão cruel quanto naquela noite. Viu alguém se aproximar dela, junto a um grito, antes de fechar seus olhos pela última vez. Estava morta.

Baile de Máscaras

Em um mundo onde a falsidade reina, é difícil distinguir quem realmente é seu amigo. Mentiras parecem ter mais valor do que verdades. Amizades que começam num dia e acabam no outro. Nesse mundo, ninguém sabe quem é quem, ninguém tem idéia do que cada um esconde. Nesse baile de máscaras que vivemos, cada convidado possui mais de uma face, mais de uma aparência, mais de uma verdade ou mentira. No fundo, todos sabemos quem somos. Mas num baile como este, não se pode vacilar e deixar nenhuma máscara cair, ela pode revelar verdades na qual você nunca gostaria de saber.

Abrigo

Eu andava a passos rápidos pela estrada a procura de um lugar para me abrigar. A chuva caia lentamente, e misturava-se com minhas lágrimas. A estrada, molhada, dificultava a minha caminhada. Sentei-me no asfalto, exausta. Olhei para o céu e sussurrei: "Você consegue ouvir, quando eu falo?". As lágrimas já tomavam conta de todo o meu rosto, a chuva molhava minhas roupas, mas eu já não me importava mais. A dor me impedia de tudo. "Nunca me senti assim", pensei. Levantei-me com dificuldade e segui em direção a praia. Talvez eu tenha dito algo errado, talvez eu tenha feito algo errado. Eu apenas gostaria de saber o que foi. Larguei meus sapatos na areia. A sensação da areia molhada nos meus pés era maravilhosa. Andei lentamente, aproveitando cada segundo, até a beira do mar. Molhei meus pés e deixei minhas lágrimas cairem naquela onda. Ela levaria todo aquele sentimento com ela, para bem longe. Continuei com passos lentos para dentro daquele enorme mar. A dor parecia diminuir a cada passo, as lágrimas já não deciam com tanta força. Quando me dei conta já estava com a água na altura do peito. Olhei para trás, te avistei por uma última vez, numa tentativa fracassada de resolver tudo com desculpas novamente. Mas eu cansei disso tudo, desculpas não me ajudam mais. Dei-lhe um último aceno junto com um susurro baixo. "Por favor, me ensine gentilmente como respirar". Virei novamente para aquele enorme oceano na minha frente. E deixei-me cair sobre as águas, assim como minhas lágrimas faziam minutos antes. Elas saberiam o que fazer comigo.

Baseada na música Shelter, da Birdy.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Carta de um coração em pedaços

"Não é que eu esteja magoada, chateada ou triste. Na verdade eu não sei o que realmente estou sentindo ultimamente. As coisas estão meio complicadas para o meu coração, e mais ainda para a minha mente. Eu só estou cansada de tentar fazer tudo dar certo, mas ser a única a lutar por isso. Não sei explicar, só cansei. Cansei de correr atrás, de ver que não tem mais volta, de que nada do que eu sonho é real. Cansei de lutar por algo que não vai acontecer. Cansei de levar bronca quando não é necessário, de ter que ouvir coisas que não deveria, de machucar meu coração a cada dia mais com suas poucas palavras. Cansei de iludir a mim mesma acreditando que tudo isso um dia dê certo. Cansei de meias palavras, de sentimentos vazios, de frases curtas. Cansei, cansei, cansei. De tentar ser perfeita a toda hora quando só sei ser imperfeita, de lutar contra mim mesma, de deixar a minha felicidade de lado para fazer a sua. E receber o que em troca mesmo? Nada. Obrigada pelos bons momentos, mas acredito que não dá mais, como nunca deu, e nunca dará. Cansei de ser a idiota dessa relação. Eu só estou cansada de tudo isso. Adeus"

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Baile. Como eu odiava bailes. Aqueles bailes chiques, mulheres de vestidos longos, homens de terno e gravata, todos deslumbrantes.
Comida impecável. Pessoas ricas. Era exatamente o tipo de baile que uma mera jornalista como eu nunca imaginaria estar presente.
Estáva sentada em um canto, conversando com alguns amigos e colegas de trabalho, quando ele se aproximou.

- Olá bela moça. - segurou minha mão com todo o cuidado e beijou-a. - Dá-me a honra dessa dança?
Me levantei e seguimos para o salão. Um música lenta tocava. Apenas melodia. Milhares de casais rodopiavam a nossa volta.
Senti sua mão em minha cintura.

- Eu não sei dançar. - sussurrei em seu ouvido.
- Eu a conduzo.

Em poucos minutos estávamos rodopiando pelo salão. O som do piano era suave, agradável. Ele sorriu ao perceber que eu havia aprendido alguns passos.

-Muito bom. - ele sussurrou. Eu apenas sorri.

Continuamos nossa dança. Assim que a música acabou, ele beijou minha mão em tom de despedida. Me sentei com meus conhecidos novamente.
Alguns casais ainda rodopiavam no salão, já estavam acostumados com esse tipo de música. Observei o homem, com quem havia dançado, convidar uma outra mulher ao salão. Tinha uma aparência velha, aparentava ter uns 60 anos. "Deve ser sua avó", pensei.
Ele rodopiava, conduzindo a mulher a uma dança calma e suave. Pareciam se entender bem. Pude vê-lo sorrir e acenar com a cabeça em minha direção. Logo a mulher me olhou e sorriu. Retribui o sorriso.
Observei o jardim da velha casa. Estava vazio. Decidi tomar um pouco de ar fresco.
Me sentei no banco perto do lago e observei o céu. Ele estava especialmente lindo. As estrelas pareciam brilhar mais fortes e a lua estava cheia.
Alguns casais pareciam ter tido a mesma idéia. Observei um casal bem jovem, de mãos dadas. Estavam no auge do romance. Não sabiam o que era sofrer.
Um pouco mais atrás desses, estava um casal de velhinhos. Me encantava essa visão. Depois de tantos anos, ainda continuavam juntos, e, principalmente, apaixonados.

- Interrompo algo? - o moço com quem dancei se aproximou.
- Só estava tomando um ar fresco. - sorri.
- Me desculpe, nem sei seu nome. - sentou-se ao meu lado.
- Julieta, prazer.
- O prazer é todo meu. Sou Romeu. - pegou minha mão e beijou-a. Sorri.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Ele era um verdadeiro cavalheiro. Me admirava ele não ter nenhuma mulher.

- Está tudo bem, bela moça?
- Está sim. Apenas penso. - encontrei seus olhos. Azuis. Tão belos. Pareciam oceanos. Entrei em transe por um breve momento.
- Moça?
- Oh, desculpe. - sorri. - Apenas admirava seus belos olhos. - ele pareceu envergonhado.
- Herdei-os de minha vó. A mulher com quem dançava. - ele sorriu. Retribui seu sorriso. O silêncio tomou conta novamente. - Desculpe-me a pergunta, mas parece triste.
- Oh, não é nada.
- Por favor, conte-me. - talvez não devesse falar coisas assim com um estranho, mas ele me pareceu confiável. Contei-o o que me atormentava. A vida que levava nos últimos anos, o amor perdido, a minha infelicidade com o mundo.
Expliquei-o toda a minha vida, e todos os motivos por estar triste. Ele pareceu entender-me. Sorriu após terminar minha fala.
- Vejo que você é uma mulher que sempre sofreu por amor.
- E ainda sofro.
- A partir de agora, não mais. - pegou minha mão e beijou-a. Havia encontrado o velho príncipe dos meus contos de fadas.
Cartas, fotos, músicas, lembranças; rondavam os pensamentos da jovem menina. Sentada sob a luz da lua em uma praia deserta, ela refletia sobre a vida infeliz que a acompanhava a tanto tempo.
Com uma garrafa de vodka ao lado, já pela metade, lágrimas escorriam pelos seus olhos. Amores não correspondidos, amizades perdidas, felicidade roubada. Ela já não era mais nada.
Assim como as ondas, que vem e vão, muitas vezes turbulentas, seus pensamentos se encontravam. Tanta coisa havia deixado de viver devido um belo moço que conheceu há alguns meses, e que, por causa dele, jogou tanta coisa fora. Hoje ele já não se importava mais com ela. Lágrimas brotavam aos olhos a cada lembrança dos bons tempos, e escorriam pela jovem face da bela moça ao saber que ele já havia superado o fim; estava com outra.
Sonhos e planos, jogados as ondas, na esperança de ainda poder viver alguns deles. Coração machucado, partido, ferido várias vezes. Ela, já acostumada, acreditava que passaria, só não imaginou que demoraria tanto tempo. Sorriu ao observar as estrelas, que agora surgiam no céu limpo, lembrando das promessas feitas e "eu te amo" ditos em vão. Promessas que foram jogadas ao vento, e que, quem sabe, um dia retornariam.
A jovem tomou mais um gole da sua garrafa, já quase vazia; levantou-se e seguiu em direção ao mar. Molhou os pés, tomou o último gole de vodcka e atirou a garrafa ao chão. Entrou mar a dentro, ainda com lágrimas nos olhos. Com a água já acima do joelho, juntou as mãos, cruzando os dedos, e rezou. Pediu que tudo aquilo fosse esquecido, que o jovem garoto que tanto mexia com ela fosse apagado de sua memória. Apenas queria sua vida pacata de volta.
Ergueu a cabeça aos céus, respirou fundo e mergulhou no mar de suas ilusões em que se encontrava, para nunca mais voltar.

"Ela aparenta estar bem, estar forte", comentou o menino ao meu lado, justo o menino que havia tranformado aquela moça no que ela é hoje. A verdade é que ela apenas se mostrava forte. O menino não fazia idéia do quanto aquela menina, que cruzava a rua à nossa frente com medo de perder ônibus, sofreu e ainda sofria por ele. Ele não tinha a mínima idéia do quanto ela chorava todas as noites, se lamentando por tudo o que havia acontecido entre os dois.
"É, aparenta", concordei, sabendo muito mais do que ele, afinal aquela moça era minha melhor amiga. Era eu que ela procurava quando precisava de um ombro para chorar. E quantas as vezes foram essas em que desabafou comigo pelo justo menino que conversava comigo no momento.
"Ela superou bem rápido, não?", perguntou o garoto ao meu lado. Eu não diria que ela havia superado, mas sim se acostumado com toda aquela dor que a destruia por dentro. Observei-a novamente, ela estava parada, esperando o próximo ônibus, já que havia perdido o anterior. Notei que ela havia nos visto e apenas sorri. Ela sorriu novamente. Aquele sorriso que ela conseguia fazer de máscara para todas as lágrimas que derramava. Ela acenou discretamente, com uma lágrima nos olhos. Sabia que ela sentia falta de ter aquele menino ao seu lado.
"Quem sabe, não é?", suspirei. Eu sabia! Sabia muito bem que tudo o que ela tentava mostrar não passava de uma máscara, mostrando que havia superado o acontecimento e seguia em frente, feliz. O problema de toda essa máscara é que ela não era nem um pouco feliz. A moça queria reconciliar-se com o jovem, queria as coisas como deveriam ter sido, como ela havia sonhado há meses atrás.
"É", ele apenas concordou, fazendo com que o assunto morresse ali. O ônibus havia chegado, ela me acenou com um sorriso, e embarcou. Encostou a cabeça na janela, colocou os fones de ouvido, e deixou as lágrimas tomarem conta de sua face novamente. O seu "felizes para sempre" havia se tornado um "era uma vez".
Coração machucado, ferido, em pedaços. Tentei consertá-lo, mas parece impossível. As partes simplesmente não encaixam-se mais, cacos ainda estão pelo chão da sala e um líquido vermelho escorre por elas. É o quebra-cabeça mais difícil que, mesmo depois de tanto tempo, ainda tento montar. Depois de tanta quedas, muitas partes foram perdidas, outras estão em péssimo estado, mas ainda sim, sinto que ele bate. Bate menos intensamente do que quando ainda estava inteiro e tinha amor, mas bate. Acho que nem o sentimento mais puro do mundo será capaz de consertá-lo. Na verdade, acredito que não possa mais ser consertado. Estou pensando em vendê-lo, ou quem sabe até mesmo doar-lhe. Existem pessoas mais necessitadas e capazes de reconstruí-lo.
"Tanta chances deixamos escapar. Tantas chances de sermos felizes juntos, e que hoje nos arrependemos de não tê-las aproveitado. Sinto muito por tornar todo aquele sonho um pesadelo. Saimos, os dois, feridos dessa relação que nem ao menos chegou a começar. Sinto muito por isso também, por ter sido tão difícil. Eu só desejava sua felicidade, e ainda desejo, seja comigo ou com outra. No fundo, aprendemos muito com toda essa experiência, não é mesmo? Mas isso é preferível deixar guardado apenas nos nossos corações ou em nossas mentes. Sei que já não faço mais parte do seu mundo, sei que me esqueceu, mas te peço para que não esqueça daqueles 7 meses de conversas, e mais que isso, de amor. Sinto muito por me esconder tanto, e agora te explico tudo. Eu tinha medo, e acho que ainda tenho. Medo de arriscar, de me machucar (e te machucar também), de descobrir que, talvez, tudo aquilo não passasse de uma farça, carencia. Tinha medo de perdê-lo, e, veja que irônico, tudo o que eu mais temia aconteceu. Sinto muito por ter te machucado, iludido, te feito chorar por uma pessoa que não ao menos conhecia pessoalmente. Sinto muito, do fundo do meu coração. Não era isso que eu planejava."

A menina terminou sua carta e mirou a tela do computador, com lágrimas nos olhos. Não pretendia que as coisas tomassem esse rumo. Não imaginava que tudo acabaria assim, e muito menos que ela sofreria tanto. Tudo começou com uma pequena brincadeira, virou amor, e no fim, os dois sairam feridos. Com o rosto já totalmente encharcado, ela sorriu ao pensar nos velhos tempos, quando tudo ainda era real para ela. Lembrou-se que imaginava cenas impossíveis em sua mente, e as vezes ainda imagina como seria se elas tivessem ocorrido. Pelo menos sabe que aquilo que viveu naqueles 7 meses foram reais, que realmente o amava e não queria iludi-lo. Porém no meio desse caminho, ela se perdeu, escolheu o lado errado para seguir, e no fim, percebeu a besteira que havia cometido. Ela realmente está arrependida do que fez, e queria poder dizer tudo a ela com essa pequena carta, que pretendia entregá-lo. Já estava abrindo seu email para enviá-lo, porém a coragem sumiu, e ela, ao olhar as fotos de seu novo amor, chorou. Fechou todas as janelas e jogou o notebook em um canto. Agarrou-se no travesseiro, se afogando em lágrimas e dormiu, desejando nunca mais acordar.