Baile. Como eu odiava bailes. Aqueles bailes chiques, mulheres de vestidos longos, homens de terno e gravata, todos deslumbrantes.
Comida impecável. Pessoas ricas. Era exatamente o tipo de baile que uma mera jornalista como eu nunca imaginaria estar presente.
Estáva sentada em um canto, conversando com alguns amigos e colegas de trabalho, quando ele se aproximou.
- Olá bela moça. - segurou minha mão com todo o cuidado e beijou-a. - Dá-me a honra dessa dança?
Me levantei e seguimos para o salão. Um música lenta tocava. Apenas melodia. Milhares de casais rodopiavam a nossa volta.
Senti sua mão em minha cintura.
- Eu não sei dançar. - sussurrei em seu ouvido.
- Eu a conduzo.
Em poucos minutos estávamos rodopiando pelo salão. O som do piano era suave, agradável. Ele sorriu ao perceber que eu havia aprendido alguns passos.
-Muito bom. - ele sussurrou. Eu apenas sorri.
Continuamos nossa dança. Assim que a música acabou, ele beijou minha mão em tom de despedida. Me sentei com meus conhecidos novamente.
Alguns casais ainda rodopiavam no salão, já estavam acostumados com esse tipo de música. Observei o homem, com quem havia dançado, convidar uma outra mulher ao salão. Tinha uma aparência velha, aparentava ter uns 60 anos. "Deve ser sua avó", pensei.
Ele rodopiava, conduzindo a mulher a uma dança calma e suave. Pareciam se entender bem. Pude vê-lo sorrir e acenar com a cabeça em minha direção. Logo a mulher me olhou e sorriu. Retribui o sorriso.
Observei o jardim da velha casa. Estava vazio. Decidi tomar um pouco de ar fresco.
Me sentei no banco perto do lago e observei o céu. Ele estava especialmente lindo. As estrelas pareciam brilhar mais fortes e a lua estava cheia.
Alguns casais pareciam ter tido a mesma idéia. Observei um casal bem jovem, de mãos dadas. Estavam no auge do romance. Não sabiam o que era sofrer.
Um pouco mais atrás desses, estava um casal de velhinhos. Me encantava essa visão. Depois de tantos anos, ainda continuavam juntos, e, principalmente, apaixonados.
- Interrompo algo? - o moço com quem dancei se aproximou.
- Só estava tomando um ar fresco. - sorri.
- Me desculpe, nem sei seu nome. - sentou-se ao meu lado.
- Julieta, prazer.
- O prazer é todo meu. Sou Romeu. - pegou minha mão e beijou-a. Sorri.
Ficamos em silêncio por alguns minutos. Ele era um verdadeiro cavalheiro. Me admirava ele não ter nenhuma mulher.
- Está tudo bem, bela moça?
- Está sim. Apenas penso. - encontrei seus olhos. Azuis. Tão belos. Pareciam oceanos. Entrei em transe por um breve momento.
- Moça?
- Oh, desculpe. - sorri. - Apenas admirava seus belos olhos. - ele pareceu envergonhado.
- Herdei-os de minha vó. A mulher com quem dançava. - ele sorriu. Retribui seu sorriso. O silêncio tomou conta novamente. - Desculpe-me a pergunta, mas parece triste.
- Oh, não é nada.
- Por favor, conte-me. - talvez não devesse falar coisas assim com um estranho, mas ele me pareceu confiável. Contei-o o que me atormentava. A vida que levava nos últimos anos, o amor perdido, a minha infelicidade com o mundo.
Expliquei-o toda a minha vida, e todos os motivos por estar triste. Ele pareceu entender-me. Sorriu após terminar minha fala.
- Vejo que você é uma mulher que sempre sofreu por amor.
- E ainda sofro.
- A partir de agora, não mais. - pegou minha mão e beijou-a. Havia encontrado o velho príncipe dos meus contos de fadas.
Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Caio Fernando Abreu
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Cartas, fotos, músicas, lembranças; rondavam os pensamentos da jovem menina. Sentada sob a luz da lua em uma praia deserta, ela refletia sobre a vida infeliz que a acompanhava a tanto tempo.
Com uma garrafa de vodka ao lado, já pela metade, lágrimas escorriam pelos seus olhos. Amores não correspondidos, amizades perdidas, felicidade roubada. Ela já não era mais nada.
Assim como as ondas, que vem e vão, muitas vezes turbulentas, seus pensamentos se encontravam. Tanta coisa havia deixado de viver devido um belo moço que conheceu há alguns meses, e que, por causa dele, jogou tanta coisa fora. Hoje ele já não se importava mais com ela. Lágrimas brotavam aos olhos a cada lembrança dos bons tempos, e escorriam pela jovem face da bela moça ao saber que ele já havia superado o fim; estava com outra.
Sonhos e planos, jogados as ondas, na esperança de ainda poder viver alguns deles. Coração machucado, partido, ferido várias vezes. Ela, já acostumada, acreditava que passaria, só não imaginou que demoraria tanto tempo. Sorriu ao observar as estrelas, que agora surgiam no céu limpo, lembrando das promessas feitas e "eu te amo" ditos em vão. Promessas que foram jogadas ao vento, e que, quem sabe, um dia retornariam.
A jovem tomou mais um gole da sua garrafa, já quase vazia; levantou-se e seguiu em direção ao mar. Molhou os pés, tomou o último gole de vodcka e atirou a garrafa ao chão. Entrou mar a dentro, ainda com lágrimas nos olhos. Com a água já acima do joelho, juntou as mãos, cruzando os dedos, e rezou. Pediu que tudo aquilo fosse esquecido, que o jovem garoto que tanto mexia com ela fosse apagado de sua memória. Apenas queria sua vida pacata de volta.
Ergueu a cabeça aos céus, respirou fundo e mergulhou no mar de suas ilusões em que se encontrava, para nunca mais voltar.
Com uma garrafa de vodka ao lado, já pela metade, lágrimas escorriam pelos seus olhos. Amores não correspondidos, amizades perdidas, felicidade roubada. Ela já não era mais nada.
Assim como as ondas, que vem e vão, muitas vezes turbulentas, seus pensamentos se encontravam. Tanta coisa havia deixado de viver devido um belo moço que conheceu há alguns meses, e que, por causa dele, jogou tanta coisa fora. Hoje ele já não se importava mais com ela. Lágrimas brotavam aos olhos a cada lembrança dos bons tempos, e escorriam pela jovem face da bela moça ao saber que ele já havia superado o fim; estava com outra.
Sonhos e planos, jogados as ondas, na esperança de ainda poder viver alguns deles. Coração machucado, partido, ferido várias vezes. Ela, já acostumada, acreditava que passaria, só não imaginou que demoraria tanto tempo. Sorriu ao observar as estrelas, que agora surgiam no céu limpo, lembrando das promessas feitas e "eu te amo" ditos em vão. Promessas que foram jogadas ao vento, e que, quem sabe, um dia retornariam.
A jovem tomou mais um gole da sua garrafa, já quase vazia; levantou-se e seguiu em direção ao mar. Molhou os pés, tomou o último gole de vodcka e atirou a garrafa ao chão. Entrou mar a dentro, ainda com lágrimas nos olhos. Com a água já acima do joelho, juntou as mãos, cruzando os dedos, e rezou. Pediu que tudo aquilo fosse esquecido, que o jovem garoto que tanto mexia com ela fosse apagado de sua memória. Apenas queria sua vida pacata de volta.
Ergueu a cabeça aos céus, respirou fundo e mergulhou no mar de suas ilusões em que se encontrava, para nunca mais voltar.
"Ela aparenta estar bem, estar forte", comentou o menino ao meu lado, justo o menino que havia tranformado aquela moça no que ela é hoje. A verdade é que ela apenas se mostrava forte. O menino não fazia idéia do quanto aquela menina, que cruzava a rua à nossa frente com medo de perder ônibus, sofreu e ainda sofria por ele. Ele não tinha a mínima idéia do quanto ela chorava todas as noites, se lamentando por tudo o que havia acontecido entre os dois.
"É, aparenta", concordei, sabendo muito mais do que ele, afinal aquela moça era minha melhor amiga. Era eu que ela procurava quando precisava de um ombro para chorar. E quantas as vezes foram essas em que desabafou comigo pelo justo menino que conversava comigo no momento.
"Ela superou bem rápido, não?", perguntou o garoto ao meu lado. Eu não diria que ela havia superado, mas sim se acostumado com toda aquela dor que a destruia por dentro. Observei-a novamente, ela estava parada, esperando o próximo ônibus, já que havia perdido o anterior. Notei que ela havia nos visto e apenas sorri. Ela sorriu novamente. Aquele sorriso que ela conseguia fazer de máscara para todas as lágrimas que derramava. Ela acenou discretamente, com uma lágrima nos olhos. Sabia que ela sentia falta de ter aquele menino ao seu lado.
"Quem sabe, não é?", suspirei. Eu sabia! Sabia muito bem que tudo o que ela tentava mostrar não passava de uma máscara, mostrando que havia superado o acontecimento e seguia em frente, feliz. O problema de toda essa máscara é que ela não era nem um pouco feliz. A moça queria reconciliar-se com o jovem, queria as coisas como deveriam ter sido, como ela havia sonhado há meses atrás.
"É", ele apenas concordou, fazendo com que o assunto morresse ali. O ônibus havia chegado, ela me acenou com um sorriso, e embarcou. Encostou a cabeça na janela, colocou os fones de ouvido, e deixou as lágrimas tomarem conta de sua face novamente. O seu "felizes para sempre" havia se tornado um "era uma vez".
"É, aparenta", concordei, sabendo muito mais do que ele, afinal aquela moça era minha melhor amiga. Era eu que ela procurava quando precisava de um ombro para chorar. E quantas as vezes foram essas em que desabafou comigo pelo justo menino que conversava comigo no momento.
"Ela superou bem rápido, não?", perguntou o garoto ao meu lado. Eu não diria que ela havia superado, mas sim se acostumado com toda aquela dor que a destruia por dentro. Observei-a novamente, ela estava parada, esperando o próximo ônibus, já que havia perdido o anterior. Notei que ela havia nos visto e apenas sorri. Ela sorriu novamente. Aquele sorriso que ela conseguia fazer de máscara para todas as lágrimas que derramava. Ela acenou discretamente, com uma lágrima nos olhos. Sabia que ela sentia falta de ter aquele menino ao seu lado.
"Quem sabe, não é?", suspirei. Eu sabia! Sabia muito bem que tudo o que ela tentava mostrar não passava de uma máscara, mostrando que havia superado o acontecimento e seguia em frente, feliz. O problema de toda essa máscara é que ela não era nem um pouco feliz. A moça queria reconciliar-se com o jovem, queria as coisas como deveriam ter sido, como ela havia sonhado há meses atrás.
"É", ele apenas concordou, fazendo com que o assunto morresse ali. O ônibus havia chegado, ela me acenou com um sorriso, e embarcou. Encostou a cabeça na janela, colocou os fones de ouvido, e deixou as lágrimas tomarem conta de sua face novamente. O seu "felizes para sempre" havia se tornado um "era uma vez".
Coração machucado, ferido, em pedaços. Tentei consertá-lo, mas parece impossível. As partes simplesmente não encaixam-se mais, cacos ainda estão pelo chão da sala e um líquido vermelho escorre por elas. É o quebra-cabeça mais difícil que, mesmo depois de tanto tempo, ainda tento montar. Depois de tanta quedas, muitas partes foram perdidas, outras estão em péssimo estado, mas ainda sim, sinto que ele bate. Bate menos intensamente do que quando ainda estava inteiro e tinha amor, mas bate. Acho que nem o sentimento mais puro do mundo será capaz de consertá-lo. Na verdade, acredito que não possa mais ser consertado. Estou pensando em vendê-lo, ou quem sabe até mesmo doar-lhe. Existem pessoas mais necessitadas e capazes de reconstruí-lo.
"Tanta chances deixamos escapar. Tantas chances de sermos felizes juntos, e que hoje nos arrependemos de não tê-las aproveitado. Sinto muito por tornar todo aquele sonho um pesadelo. Saimos, os dois, feridos dessa relação que nem ao menos chegou a começar. Sinto muito por isso também, por ter sido tão difícil. Eu só desejava sua felicidade, e ainda desejo, seja comigo ou com outra. No fundo, aprendemos muito com toda essa experiência, não é mesmo? Mas isso é preferível deixar guardado apenas nos nossos corações ou em nossas mentes. Sei que já não faço mais parte do seu mundo, sei que me esqueceu, mas te peço para que não esqueça daqueles 7 meses de conversas, e mais que isso, de amor. Sinto muito por me esconder tanto, e agora te explico tudo. Eu tinha medo, e acho que ainda tenho. Medo de arriscar, de me machucar (e te machucar também), de descobrir que, talvez, tudo aquilo não passasse de uma farça, carencia. Tinha medo de perdê-lo, e, veja que irônico, tudo o que eu mais temia aconteceu. Sinto muito por ter te machucado, iludido, te feito chorar por uma pessoa que não ao menos conhecia pessoalmente. Sinto muito, do fundo do meu coração. Não era isso que eu planejava."
A menina terminou sua carta e mirou a tela do computador, com lágrimas nos olhos. Não pretendia que as coisas tomassem esse rumo. Não imaginava que tudo acabaria assim, e muito menos que ela sofreria tanto. Tudo começou com uma pequena brincadeira, virou amor, e no fim, os dois sairam feridos. Com o rosto já totalmente encharcado, ela sorriu ao pensar nos velhos tempos, quando tudo ainda era real para ela. Lembrou-se que imaginava cenas impossíveis em sua mente, e as vezes ainda imagina como seria se elas tivessem ocorrido. Pelo menos sabe que aquilo que viveu naqueles 7 meses foram reais, que realmente o amava e não queria iludi-lo. Porém no meio desse caminho, ela se perdeu, escolheu o lado errado para seguir, e no fim, percebeu a besteira que havia cometido. Ela realmente está arrependida do que fez, e queria poder dizer tudo a ela com essa pequena carta, que pretendia entregá-lo. Já estava abrindo seu email para enviá-lo, porém a coragem sumiu, e ela, ao olhar as fotos de seu novo amor, chorou. Fechou todas as janelas e jogou o notebook em um canto. Agarrou-se no travesseiro, se afogando em lágrimas e dormiu, desejando nunca mais acordar.
A menina terminou sua carta e mirou a tela do computador, com lágrimas nos olhos. Não pretendia que as coisas tomassem esse rumo. Não imaginava que tudo acabaria assim, e muito menos que ela sofreria tanto. Tudo começou com uma pequena brincadeira, virou amor, e no fim, os dois sairam feridos. Com o rosto já totalmente encharcado, ela sorriu ao pensar nos velhos tempos, quando tudo ainda era real para ela. Lembrou-se que imaginava cenas impossíveis em sua mente, e as vezes ainda imagina como seria se elas tivessem ocorrido. Pelo menos sabe que aquilo que viveu naqueles 7 meses foram reais, que realmente o amava e não queria iludi-lo. Porém no meio desse caminho, ela se perdeu, escolheu o lado errado para seguir, e no fim, percebeu a besteira que havia cometido. Ela realmente está arrependida do que fez, e queria poder dizer tudo a ela com essa pequena carta, que pretendia entregá-lo. Já estava abrindo seu email para enviá-lo, porém a coragem sumiu, e ela, ao olhar as fotos de seu novo amor, chorou. Fechou todas as janelas e jogou o notebook em um canto. Agarrou-se no travesseiro, se afogando em lágrimas e dormiu, desejando nunca mais acordar.
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