segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Disseram que ela parecia ser uma pessoa feliz, mas nenhum deles sabia o que ela enfrentava todos os dias. É um mundo cruel e vivemos numa constante batalha entre os sentimentos e a razão, onde cada um faz sua escolha de acordo com um destes e esta pode ser fatal. Com o coração ferido, ela tentava não demonstrar a dor, escondendo-se em sorrisos falsos estampados nos lábios. Os olhos profundos, cheios de histórias verdadeiras para expor a quem os olhasse por muito tempo. Com a verdade no olhar e a mentira nos lábios, ela seguia o caminho que havia trilhado, se fortalecendo a cada decepção, tendo consciência de que nenhuma delas seria a última. Em um mundo como esse é preciso ter cuidado, qualquer passo em falso pode ser crucial para o resto do caminho. Nesse lugar as pessoas aparecem, brincam e vão embora. Todo cuidado é pouco, todo sorriso esconde uma noite de lágrimas, todo olhar possui uma verdade a ser revelada, todo coração partido procura reparo, toda decepção é um aprendizado. Aqui, quem não entra na batalha não sabe o que é travar uma guerra consigo mesmo.

domingo, 11 de novembro de 2012

Carta para um velho amor.

“Olá querido. Há quanto tempo não nos falamos, não é? Eu já não sei nada da sua vida, assim como você não sabe da minha. Está bem? Conheceu alguém melhor? Casou? Teve filhos? Adoraria saber, mas confesso que tenho medo das respostas. Está feliz com o que o destino preparou? Acha que poderíamos ter feito melhor, daquele nosso jeito ingênuo e apaixonado? Se ele não tivesse sido tão cruel…
Creio que esta carta poderia ser melhor com as luzes acesas, porém temo a claridade. A escuridão foi tão receptiva e reconfortante com minha alma que hoje não desejos mais viver sob luzes. Sinto muito pelo rumo de nossas vidas e pelo que nos tornamos, mas não podemos mudar o que está escrito. Nosso conto de fadas chegou ao fim, caso contrário, estaríamos lado a lado agora, sorrindo ao ver nossos filhos se divertirem no chão da sala.
Espero suas respostas com o coração batendo, descompassadamente, por medo ou ansiedade; com a vontade de aumentar o tempo que nos resta e mudar nosso futuro.”