terça-feira, 25 de setembro de 2012

Eu estava no metrô quando o vi novamente. Ele me olhou triste, com um sorriso de canto. Ambos sabíamos que não daria certo. Não havia dado antes, por qual razão daria agora? Tentei sorri, mas minha tentativa foi falha. Olhei-o cansada, os olhos já úmidos pelas lágrimas. Droga! Eu iria chorar na frente dele. Desviei meu olhar para a janela. Pude notar o olhar dele em mim mais alguns minutos antes de se sentar. O coração doeu, como há tempos não doía. Nunca foi fácil, pra nenhum de nós, esquecer. Mas agora que eu pensava ter superado, ele reaparece, trazendo as lembranças de volta a minha mente e a dor ao meu coração. Mirei-o novamente. Ele parecia ler. Continuava apaixonado pela leitura, pelo romance. Sorri por um breve tempo, lembrando dos bons momentos de nosso conto de fada. Suspirei, deixando a cabeça cair novamente na janela e fechei meus olhos. Aquele sorriso, aqueles olhos, aquelas mãos. Abri-os lentamente, o que eu menos queria era sonhar com ele. Nossos olhos, então, se reencontraram. Ele não tinha o direito de reacender minhas esperanças. Eu já me iludia o bastante sozinha, não precisava daquele olhar para me iludir mais ainda. Senti o telefone vibrar.

"Sinto muito"
"Não sinta. Somos imaturos demais.A culpa não é sua, nem minha. Nossos corações são os verdadeiros culpados"
"Sinto sua falta"
"Isso passa. Ambos devemos seguir em frente. O destino não pertence a nós, deixe-o fazer seu trabalho"
"Deveríamos ter mais uma chance"
"Para que? Nos machucarmos novamente? Sinto muito, duas vezes já foram o bastante. Não se comete o mesmo erro três vezes"
"Então você acha que fomos um erro?"
"Pense assim se quiser. Tudo dura o tempo necessário para se tornar inesquecível, inclusive os erros"
"É isso? Acabou?"
"Felizmente ou infelizmente, nem chegamos a começar"
"E todo aquele amor?"
"Como eu disse, ele passa. Encontrará outro alguém para amar, alguém que dê certo"
"E como fica nossa história?"
"Torna-se uma lembrança"

Olhei-o pela última vez. Levantei com cuidado, era hora de ir.
- Adeus. - sussurrei. Os olhos já úmidos novamente. Ele apenas manteve seu olhar triste. Ultrapassei a porta. Já era hora de seguir meu caminho, sozinha.

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