segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Me sentir sozinha já se tornou um hábito. Esquecida no canto do quarto escuro, eu tento controlar as lágrimas, sem sucesso. Deixo o corpo escorregar pela porta, abraço os joelhos, escondo o rosto. Dói, dói bastante, mas é possível esconder com um sorriso toda essa dor. Com os olhos inchados, procuro a luz na escuridão. A luz da lua cheia entra pela minha janela, me fazendo sorrir por um breve momento. Tantos sonhos, planos e tentativas, todas fracassadas. Tudo fora jogado no lixo. A mente vaga pelo desconhecido e eu já não entendo meus próprios pensamentos. As lágrimas insistem em descer, os soluços já são inevitáveis. É tarde para pedir desculpas, eu sei. Sinto muito por ser tão fraca.  Eu só quero que tudo volte a ser o que era. Não normal, porque nunca foi, mas o imperfeito mundo em que eu vivia, mergulhada em sonhos infantis e contos de fadas, a ilusão de que o destino nos reserva o melhor. Isso era muito melhor do que a realidade que vivo hoje. Amadureci, sim, e foi ótimo. Mas sei que a criança que eu era não teria nenhum orgulho da pessoa que me tornei. Fria, bloqueando sentimentos, mas fraca com qualquer palavra bonita dita. Eu não tenho orgulho da pessoa que me tornei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário