Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Ela tinha os olhos cansados, com olheiras, pela noite difícil que tivera, que passara em claro, em meio a um turbilhão de pensamentos que percorriam sua mente levando-a a loucura. Sentada ao canto de uma cafeteria, mirava o movimento na rua, enquanto tomava um gole de café quente para animá-la. Os olhos, agora cheios de lágrimas, mostravam o quão difícil era sentir tudo aquilo. Seu coração doía, apertava a cada lembrança dos dias felizes que antes tivera. As lágrimas já escorriam pela face da jovem, chegando a um ponto em que era impossível evitá-las. Pensamentos ainda a atormentavam, causando uma dor de cabeça insuportável. Tomou mais um gole do seu café, e continuou mirando a rua. Viu, então, aquele que a fazia sofrer daquele jeito, aquele que era o motivo da noite difícil e das lágrimas que caiam de seus olhos. Sorriu por um breve momento, como se pudesse voltar no tempo e reviver novamente os dias felizes juntos. Porém, o sorriso logo se foi, assim que viu o jovem com um novo amor, dando lugar a olhos que lutavam contra as lágrimas. Ela não queria chorar, não na frente dele, mas tornara-se impossível vê-lo daquela maneira, com outra, enquanto ela ainda guardava as boas lembranças. Tomou os últimos goles de seu café, deixou um pouco de dinheiro sobre a mesa, levantou-se e enxugou suas lágrimas. Estava disposta a provar para aquele jovem, e para todos que um dia duvidaram dela, que ela podia ser feliz sem ele, que ela podia superar assim como ele, que ela ainda tinha uma vida, e pretendia vivê-la ao extremo. Saiu pela porta da cafeteria, e mirou o jovem mais uma vez. Dessa vez, já não havia lágrimas, mas sim um belo sorriso em seu rosto. Olhou para o céu, sentiu a brisa leve tocar em sua face, sorriu abertamente. Acenou para o rapaz, que agora seguia seu rumo de mãos dadas com um garota de cabelos negros. A partir de agora, ela deixaria tudo para trás, assim como ele fizera; seguiria seu caminho como sempre deveria ter sido, sozinha.
Eu prefiro os livros. Ultimamente eles estão me entendendo muito mais do que as pessoas. Prefiro esse mundo, onde tudo é transparente, onde sempre há um final feliz. Cansei de decepções, de pessoas falsas, de amores impossíveis. Quero viver em um mundo onde não haja máscaras, onde não haja mentiras, onde as coisas deem certo, ao menos uma vez, para mim. Não quero um mundo perfeito, longe disso, apenas quero um lugar onde as coisas façam sentido, onde podemos ter a certeza que a história terá o final que merece, seja feliz ou não. Talvez seja apenas ilusão minha; sonho irreal, impossível. Mas entre esses dois mundos, qual você prefere?
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Ela corria pelo salão, a procura de alguém que pudesse ajudar. Seu belo vestido branco de princesa começava a manchar-se de vermelho sangue. Ela gritava, ainda correndo no salão, porém ninguém parecia notar sua presença no local. Suspirou, a dor no ventre aumentava a cada minuto. O criminoso estava a olhando, com um sorriso satisfeito nos lábios, enquanto o sangue manchava seu vestido cada vez mais. Parada no meio do salão, com as mãos sobre a barriga, olhou ao seu redor. As pessoas pareciam não a notar ali. Gritou, não apenas de dor, mas também de raiva. O criminoso ainda a olhava, dessa vez sério, aproximou-se dela. A menina se encolheu com medo do que ele poderia fazer, porém sabia que nada poderia ser mais cruel que seu destino. O homem sorriu, levantou a máscara, e deu um sorrido vitorioso: "Eu avisei. Ninguém mexe comigo". Abaixou a máscara e seguiu em busca de uma nova vítima. A moça ainda pode vê-lo sair em direção ao jardim. Suspirou novamente, olhou o vestido encharcado pelo sangue, deixou-se cair ao chão. Seu "felizes para sempre" estava acabado, seus sonhos haviam sido destruídos por um assassino silencioso. O destino nunca fora tão cruel quanto naquela noite. Viu alguém se aproximar dela, junto a um grito, antes de fechar seus olhos pela última vez. Estava morta.
Baile de Máscaras
Em um mundo onde a falsidade reina, é difícil distinguir quem realmente é seu amigo. Mentiras parecem ter mais valor do que verdades. Amizades que começam num dia e acabam no outro. Nesse mundo, ninguém sabe quem é quem, ninguém tem idéia do que cada um esconde. Nesse baile de máscaras que vivemos, cada convidado possui mais de uma face, mais de uma aparência, mais de uma verdade ou mentira. No fundo, todos sabemos quem somos. Mas num baile como este, não se pode vacilar e deixar nenhuma máscara cair, ela pode revelar verdades na qual você nunca gostaria de saber.
Abrigo
Eu andava a passos rápidos pela estrada a procura de um lugar para me abrigar. A chuva caia lentamente, e misturava-se com minhas lágrimas. A estrada, molhada, dificultava a minha caminhada. Sentei-me no asfalto, exausta. Olhei para o céu e sussurrei: "Você consegue ouvir, quando eu falo?". As lágrimas já tomavam conta de todo o meu rosto, a chuva molhava minhas roupas, mas eu já não me importava mais. A dor me impedia de tudo. "Nunca me senti assim", pensei. Levantei-me com dificuldade e segui em direção a praia. Talvez eu tenha dito algo errado, talvez eu tenha feito algo errado. Eu apenas gostaria de saber o que foi. Larguei meus sapatos na areia. A sensação da areia molhada nos meus pés era maravilhosa. Andei lentamente, aproveitando cada segundo, até a beira do mar. Molhei meus pés e deixei minhas lágrimas cairem naquela onda. Ela levaria todo aquele sentimento com ela, para bem longe. Continuei com passos lentos para dentro daquele enorme mar. A dor parecia diminuir a cada passo, as lágrimas já não deciam com tanta força. Quando me dei conta já estava com a água na altura do peito. Olhei para trás, te avistei por uma última vez, numa tentativa fracassada de resolver tudo com desculpas novamente. Mas eu cansei disso tudo, desculpas não me ajudam mais. Dei-lhe um último aceno junto com um susurro baixo. "Por favor, me ensine gentilmente como respirar". Virei novamente para aquele enorme oceano na minha frente. E deixei-me cair sobre as águas, assim como minhas lágrimas faziam minutos antes. Elas saberiam o que fazer comigo.
Baseada na música Shelter, da Birdy.
Baseada na música Shelter, da Birdy.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Carta de um coração em pedaços
"Não é que eu esteja magoada, chateada ou triste. Na verdade eu não sei o que realmente estou sentindo ultimamente. As coisas estão meio complicadas para o meu coração, e mais ainda para a minha mente. Eu só estou cansada de tentar fazer tudo dar certo, mas ser a única a lutar por isso. Não sei explicar, só cansei. Cansei de correr atrás, de ver que não tem mais volta, de que nada do que eu sonho é real. Cansei de lutar por algo que não vai acontecer. Cansei de levar bronca quando não é necessário, de ter que ouvir coisas que não deveria, de machucar meu coração a cada dia mais com suas poucas palavras. Cansei de iludir a mim mesma acreditando que tudo isso um dia dê certo. Cansei de meias palavras, de sentimentos vazios, de frases curtas. Cansei, cansei, cansei. De tentar ser perfeita a toda hora quando só sei ser imperfeita, de lutar contra mim mesma, de deixar a minha felicidade de lado para fazer a sua. E receber o que em troca mesmo? Nada. Obrigada pelos bons momentos, mas acredito que não dá mais, como nunca deu, e nunca dará. Cansei de ser a idiota dessa relação. Eu só estou cansada de tudo isso. Adeus"
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