quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Cartas, fotos, músicas, lembranças; rondavam os pensamentos da jovem menina. Sentada sob a luz da lua em uma praia deserta, ela refletia sobre a vida infeliz que a acompanhava a tanto tempo.
Com uma garrafa de vodka ao lado, já pela metade, lágrimas escorriam pelos seus olhos. Amores não correspondidos, amizades perdidas, felicidade roubada. Ela já não era mais nada.
Assim como as ondas, que vem e vão, muitas vezes turbulentas, seus pensamentos se encontravam. Tanta coisa havia deixado de viver devido um belo moço que conheceu há alguns meses, e que, por causa dele, jogou tanta coisa fora. Hoje ele já não se importava mais com ela. Lágrimas brotavam aos olhos a cada lembrança dos bons tempos, e escorriam pela jovem face da bela moça ao saber que ele já havia superado o fim; estava com outra.
Sonhos e planos, jogados as ondas, na esperança de ainda poder viver alguns deles. Coração machucado, partido, ferido várias vezes. Ela, já acostumada, acreditava que passaria, só não imaginou que demoraria tanto tempo. Sorriu ao observar as estrelas, que agora surgiam no céu limpo, lembrando das promessas feitas e "eu te amo" ditos em vão. Promessas que foram jogadas ao vento, e que, quem sabe, um dia retornariam.
A jovem tomou mais um gole da sua garrafa, já quase vazia; levantou-se e seguiu em direção ao mar. Molhou os pés, tomou o último gole de vodcka e atirou a garrafa ao chão. Entrou mar a dentro, ainda com lágrimas nos olhos. Com a água já acima do joelho, juntou as mãos, cruzando os dedos, e rezou. Pediu que tudo aquilo fosse esquecido, que o jovem garoto que tanto mexia com ela fosse apagado de sua memória. Apenas queria sua vida pacata de volta.
Ergueu a cabeça aos céus, respirou fundo e mergulhou no mar de suas ilusões em que se encontrava, para nunca mais voltar.

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