quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Baile. Como eu odiava bailes. Aqueles bailes chiques, mulheres de vestidos longos, homens de terno e gravata, todos deslumbrantes.
Comida impecável. Pessoas ricas. Era exatamente o tipo de baile que uma mera jornalista como eu nunca imaginaria estar presente.
Estáva sentada em um canto, conversando com alguns amigos e colegas de trabalho, quando ele se aproximou.

- Olá bela moça. - segurou minha mão com todo o cuidado e beijou-a. - Dá-me a honra dessa dança?
Me levantei e seguimos para o salão. Um música lenta tocava. Apenas melodia. Milhares de casais rodopiavam a nossa volta.
Senti sua mão em minha cintura.

- Eu não sei dançar. - sussurrei em seu ouvido.
- Eu a conduzo.

Em poucos minutos estávamos rodopiando pelo salão. O som do piano era suave, agradável. Ele sorriu ao perceber que eu havia aprendido alguns passos.

-Muito bom. - ele sussurrou. Eu apenas sorri.

Continuamos nossa dança. Assim que a música acabou, ele beijou minha mão em tom de despedida. Me sentei com meus conhecidos novamente.
Alguns casais ainda rodopiavam no salão, já estavam acostumados com esse tipo de música. Observei o homem, com quem havia dançado, convidar uma outra mulher ao salão. Tinha uma aparência velha, aparentava ter uns 60 anos. "Deve ser sua avó", pensei.
Ele rodopiava, conduzindo a mulher a uma dança calma e suave. Pareciam se entender bem. Pude vê-lo sorrir e acenar com a cabeça em minha direção. Logo a mulher me olhou e sorriu. Retribui o sorriso.
Observei o jardim da velha casa. Estava vazio. Decidi tomar um pouco de ar fresco.
Me sentei no banco perto do lago e observei o céu. Ele estava especialmente lindo. As estrelas pareciam brilhar mais fortes e a lua estava cheia.
Alguns casais pareciam ter tido a mesma idéia. Observei um casal bem jovem, de mãos dadas. Estavam no auge do romance. Não sabiam o que era sofrer.
Um pouco mais atrás desses, estava um casal de velhinhos. Me encantava essa visão. Depois de tantos anos, ainda continuavam juntos, e, principalmente, apaixonados.

- Interrompo algo? - o moço com quem dancei se aproximou.
- Só estava tomando um ar fresco. - sorri.
- Me desculpe, nem sei seu nome. - sentou-se ao meu lado.
- Julieta, prazer.
- O prazer é todo meu. Sou Romeu. - pegou minha mão e beijou-a. Sorri.

Ficamos em silêncio por alguns minutos. Ele era um verdadeiro cavalheiro. Me admirava ele não ter nenhuma mulher.

- Está tudo bem, bela moça?
- Está sim. Apenas penso. - encontrei seus olhos. Azuis. Tão belos. Pareciam oceanos. Entrei em transe por um breve momento.
- Moça?
- Oh, desculpe. - sorri. - Apenas admirava seus belos olhos. - ele pareceu envergonhado.
- Herdei-os de minha vó. A mulher com quem dançava. - ele sorriu. Retribui seu sorriso. O silêncio tomou conta novamente. - Desculpe-me a pergunta, mas parece triste.
- Oh, não é nada.
- Por favor, conte-me. - talvez não devesse falar coisas assim com um estranho, mas ele me pareceu confiável. Contei-o o que me atormentava. A vida que levava nos últimos anos, o amor perdido, a minha infelicidade com o mundo.
Expliquei-o toda a minha vida, e todos os motivos por estar triste. Ele pareceu entender-me. Sorriu após terminar minha fala.
- Vejo que você é uma mulher que sempre sofreu por amor.
- E ainda sofro.
- A partir de agora, não mais. - pegou minha mão e beijou-a. Havia encontrado o velho príncipe dos meus contos de fadas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário