quinta-feira, 21 de junho de 2012

Abrigo

Eu andava a passos rápidos pela estrada a procura de um lugar para me abrigar. A chuva caia lentamente, e misturava-se com minhas lágrimas. A estrada, molhada, dificultava a minha caminhada. Sentei-me no asfalto, exausta. Olhei para o céu e sussurrei: "Você consegue ouvir, quando eu falo?". As lágrimas já tomavam conta de todo o meu rosto, a chuva molhava minhas roupas, mas eu já não me importava mais. A dor me impedia de tudo. "Nunca me senti assim", pensei. Levantei-me com dificuldade e segui em direção a praia. Talvez eu tenha dito algo errado, talvez eu tenha feito algo errado. Eu apenas gostaria de saber o que foi. Larguei meus sapatos na areia. A sensação da areia molhada nos meus pés era maravilhosa. Andei lentamente, aproveitando cada segundo, até a beira do mar. Molhei meus pés e deixei minhas lágrimas cairem naquela onda. Ela levaria todo aquele sentimento com ela, para bem longe. Continuei com passos lentos para dentro daquele enorme mar. A dor parecia diminuir a cada passo, as lágrimas já não deciam com tanta força. Quando me dei conta já estava com a água na altura do peito. Olhei para trás, te avistei por uma última vez, numa tentativa fracassada de resolver tudo com desculpas novamente. Mas eu cansei disso tudo, desculpas não me ajudam mais. Dei-lhe um último aceno junto com um susurro baixo. "Por favor, me ensine gentilmente como respirar". Virei novamente para aquele enorme oceano na minha frente. E deixei-me cair sobre as águas, assim como minhas lágrimas faziam minutos antes. Elas saberiam o que fazer comigo.

Baseada na música Shelter, da Birdy.

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