quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

"Ela aparenta estar bem, estar forte", comentou o menino ao meu lado, justo o menino que havia tranformado aquela moça no que ela é hoje. A verdade é que ela apenas se mostrava forte. O menino não fazia idéia do quanto aquela menina, que cruzava a rua à nossa frente com medo de perder ônibus, sofreu e ainda sofria por ele. Ele não tinha a mínima idéia do quanto ela chorava todas as noites, se lamentando por tudo o que havia acontecido entre os dois.
"É, aparenta", concordei, sabendo muito mais do que ele, afinal aquela moça era minha melhor amiga. Era eu que ela procurava quando precisava de um ombro para chorar. E quantas as vezes foram essas em que desabafou comigo pelo justo menino que conversava comigo no momento.
"Ela superou bem rápido, não?", perguntou o garoto ao meu lado. Eu não diria que ela havia superado, mas sim se acostumado com toda aquela dor que a destruia por dentro. Observei-a novamente, ela estava parada, esperando o próximo ônibus, já que havia perdido o anterior. Notei que ela havia nos visto e apenas sorri. Ela sorriu novamente. Aquele sorriso que ela conseguia fazer de máscara para todas as lágrimas que derramava. Ela acenou discretamente, com uma lágrima nos olhos. Sabia que ela sentia falta de ter aquele menino ao seu lado.
"Quem sabe, não é?", suspirei. Eu sabia! Sabia muito bem que tudo o que ela tentava mostrar não passava de uma máscara, mostrando que havia superado o acontecimento e seguia em frente, feliz. O problema de toda essa máscara é que ela não era nem um pouco feliz. A moça queria reconciliar-se com o jovem, queria as coisas como deveriam ter sido, como ela havia sonhado há meses atrás.
"É", ele apenas concordou, fazendo com que o assunto morresse ali. O ônibus havia chegado, ela me acenou com um sorriso, e embarcou. Encostou a cabeça na janela, colocou os fones de ouvido, e deixou as lágrimas tomarem conta de sua face novamente. O seu "felizes para sempre" havia se tornado um "era uma vez".

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