Frio. Gelo. Neve. Não importa o lado que ela olhasse.
Solidão. Tudo era duro, gelado, sem vida. Exatamente como seu coração. Ela já se
acostumara a viver assim, aprendera que ficar sozinha e isolada era o melhor
para todo mundo. Ela não queria mais machucar as pessoas que amava, que ama. Sentia
falta do calor. Sim, sentia. Abraços quentes, amor correspondido, cuidados e
carinhos gentis. Mas era melhor assim. Ela sabia disso como ninguém. Sozinha no
meio da neve, ela tinha a certeza que fugir tinha sido melhor. As pessoas não
tinham mais que se preocupar com ela, com seus problemas, confusões, manias e
etc. Ela era uma pessoa ruim e tinha certeza disso. A solidão era o lugar dela.
Assim ela não machucaria mais ninguém.
Da faca em sua mão, uma gota vermelha escorreu e manchou a
neve branca. Sangue puro de um amor fracassado. Agiu por impulso, sem pensar.
Percebeu a besteira que fizera apenas depois de sentir o cheiro forte de sangue
e ver o corpo sem vida da pessoa que tanto amava. Morte. Era isso que ela
fazia. Não apenas fisicamente, mas também mentalmente e sentimentalmente. Qualquer
sentimento bom que se aproximasse, ela o destruía. Por excesso de amor, ela
cometia loucuras. Por excesso de amor, ela matara a pessoa que cuidaria dela
por toda a vida, que a prometera amor eterno, que seria sua cura.
~~
- Ela é louca. Uma loucura que eu nunca havia visto antes. –
o homem atrás do vidro murmurava.
- Ela é uma assassina. Uma assassina de amor. – a mulher ruiva, que observava por cima do ombro do homem, respondeu. Um silêncio ensurdecedor tomou conta do local por longos minutos.
- Ela apenas queria se proteger. Proteger o coração de mais uma ferida. – uma mulher morena entrou no local, parou ao lado do homem e, observando o vidro, continuou. – De certa forma, eu a entendo. Sei o que é a dor de um coração machucado. Sei o que é esforçar-se e não ser reconhecido. Sei como é se sentir como um peso de papel. Sentir-se inútil. Preferir a solidão, o frio, a ausência de amor. – a mulher aproximou-se mais do vidro e pousou a mão ali, sentindo o frio percorrer sua pele. – Eu sinto pena dela. Sua “loucura”, se assim preferirem chamar, não tem cura, não tem tratamento. O problema dela não é na mente. É no coração. E esse é um local que nunca teremos acesso. Ninguém nunca terá. Ninguém pode descobrir ou entender o que passa em seu coração, seus sentimentos serão para sempre um mistério.
Mais um momento de silêncio.
- Ela construiu um muro em volta dele. Um muro alto, com cerca elétrica. Muito bem protegido ao redor. Nenhum homem ou mulher conseguirá chegar perto dele. – sussurrou a ruiva.
~~- Ela é uma assassina. Uma assassina de amor. – a mulher ruiva, que observava por cima do ombro do homem, respondeu. Um silêncio ensurdecedor tomou conta do local por longos minutos.
- Ela apenas queria se proteger. Proteger o coração de mais uma ferida. – uma mulher morena entrou no local, parou ao lado do homem e, observando o vidro, continuou. – De certa forma, eu a entendo. Sei o que é a dor de um coração machucado. Sei o que é esforçar-se e não ser reconhecido. Sei como é se sentir como um peso de papel. Sentir-se inútil. Preferir a solidão, o frio, a ausência de amor. – a mulher aproximou-se mais do vidro e pousou a mão ali, sentindo o frio percorrer sua pele. – Eu sinto pena dela. Sua “loucura”, se assim preferirem chamar, não tem cura, não tem tratamento. O problema dela não é na mente. É no coração. E esse é um local que nunca teremos acesso. Ninguém nunca terá. Ninguém pode descobrir ou entender o que passa em seu coração, seus sentimentos serão para sempre um mistério.
Mais um momento de silêncio.
- Ela construiu um muro em volta dele. Um muro alto, com cerca elétrica. Muito bem protegido ao redor. Nenhum homem ou mulher conseguirá chegar perto dele. – sussurrou a ruiva.
Ela voltou a olhar ao redor. Depois fixou o olhar na gota
vermelha manchando a neve. Olhou a faca em sua mão e deixo-a cair na neve. Uma
lágrima escorreu dos olhos. E mais outra. E mais outra. Ergueu a cabeça e
respirou fundo. Olhou as mãos manchadas de sangue.
Virou-se rapidamente, como se algo mudasse em sua mente e
correra em direção ao vidro. Gritou alto. Debateu-se conta o vidro. Os olhos
vermelhos.
~~
Do outro lado, as pessoas se afastaram, assustadas. A mulher
morena foi a única a permanecer ali. Respirou fundo e retirou a mão do vidro.
Levou-a em direção a moça e, como se pudesse acariciar seus cabelos, fez
movimentos carinhos com a mão. O homem atreveu-se a se aproximar um pouco, parando
ao lado da mulher morena. A mulher vira os olhos da garota molhados, vermelhos.
Aquilo não era loucura. Não era raiva. Era dor. Dor intensa. Dor de um coração
partido. Dor de falta de carinho, de amor. Dor de não ser importante para
alguém. Dor da certeza de que nunca mais seria livre. A mulher a entendia. A menina, então, parou de bater no vidro e
respirou fundo. A mulher voltou a pousar a mão no vidro, com medo. A menina,
como se pudesse ver a mulher morena do outro lado, fixou os olhos e também pousou
sua mão sobre o vidro.
- Sinto informar aos senhores aqui presente, que, nesse estágio,
já não há mais cura. Seu problema é a falta de amor.
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